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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28472: Historiografia da presença portuguesa em África (551): quem foi o João Landim ? Seguramente mais do que um topónimo...




Guiné > Região  de Cacheu  >  Bula > João Landim> Margem direita do rio Mansoa >   Junho de 1973 > Travessia de João Landim, que se fazia em jangada. Aqui, de norte para sul... Primeiro entravam as viaturas, depois as pessoas. Bissau ficava a cerca de vinte quilómetros. 

Foto do álbum de Francisco Gamelas. Foto a cores, reconstituída, melhorada digitalmente com recurso a IA/Google.


O Victor Costa
 já aqui explicou qual era o trajeto, de quem vinha de Bissau (sexta-feira, 10 de abril de 2026 às 11:38:00 WEST):

  • Bissalanca,
  • Safim,
  • João Landim Sul ( edificio com antena de transmissões), 
  • Rio Mansoa,
  • João Landim Norte (saída da estrada de alcatrão a cerca de 5 km e entrada numa picada) 
  • até ao destamento de João Landim Norte 
  • e , por fim, Bula.


Foto (e legenda): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Portugal > Ministério das Colónias > Comissão de Cartografia  > Carta da Guiné (Esboço)  (1933) > Escala 1/500 mil. Comp e des M Diniz > Imagem da carta  cedida pelo cartógrafo João Escravana (cortesia do portal Ultramar TerraWeb > Dos Veteranos da Guerra do Ultramar ).

Em 1933, existia na margem direita do rio Mansoa a Ponta João Landim. E Bissau era uma ilha. Vinte anos depois, a carta de Bula (escala de 1/50 mil) sinaliza aqui um ponto de cambança; João Landim, entre as duas margens do rio Mansoa. E a estrada que vai para Bula atravessava duas zonas distintas, João Landim e Mato Dingal. Ainda na bacia hidrográfica do Mansoa havia a Ponta Geraldo Landim. 

Na carta de Bula, estão sinalizadas muitas outras pontas. Por exemplo, na margem direita do rio Dingal: Germano Landim, Joaquim Mendes, Domingos Monteiro (?), Batijaqui, etc.; na margem direita do rio de Bula:  Conselho, Soares, Consolação, Umbrum, Alfama. etc.

É mais que provável que o João, o Geraldpo e o Germano pertencessem à família Landim, já que o apelido Landim é comum aos três "ponteiros"...

Escreveu o António Rosinha, a propósito da jangada de João Landim:

"Só entre a jangada de João Landim e Bula, encontram-se naquelas redondezas treze pontas, e provavelmente a maioria seriam de Caboverdianos.E até se poderá dizer que pelo resto da Guiné seria assim já desde Honório Barreto, até Amilcar Cabral e o herdeiro da Ponta Alfama terem as suas ideias da União/Junção/Anexação Guiné-Cabo Verde.

O Mapa de Bula onde vemos essas pontas, é de 1953, ora nessa data já a pacificação da Guiné e das outras colónias portuguesas viviam numa paz e numa calma que até iludiu os estudantes do império, que era facílimo governar aquilo mais e melhor por eles do que pelos atrasados dos portugueses.

E de facto o ex-guerrilheiro Alfama ainda chegou a governante, na Guiné, mas só até 1980, pois deve ter acompanhado Luís Cabral que também "desistiu" em 1980.

Mas talvez tenham sido eles, que ajudaram a garantir que aquele arquipélago a figurar como país com fronteiras e bandeira própria".



Guiné > Carta de Bula (1953) / ewcal 1/50 mil > Posição relatiuva de João landim, no rio Mansoa, sinalizada na carta como ponto de combança do  rio Mansoa.

 Infografias: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


1. Ainda a propósito da jangada do João Landim... Quem foi afinal o João Landim, consagrado pelos nossos cartógrafos e a memória do povo ?  Qual a origem deste topónimo ? 

Teria sido algum "ponteiro" ? "Tuga" ou cabo-verdiano? Algum "herói das campanhas de pacificação" ? Hoje há uma ponte (c. 800 metros), conhecido por "ponte Amílcar Cabral", mas para o povo é a "ponte João Landim". Tal como a ponte de São Vicente, na "estrada euro-africana", ligando a Guiné-Bissau, aos países a norte e nordeste (Senegal, Gâmbia, Guiné-Conacri...): continua associado, o nome, a uma ponta que aqui existia antes do início da guerra...

É uma pergunta para os especialistas de história, cartografia  e  toponímia da Guiné, a começar pelo nosso erudito e apaixonado por estas coisas, o Mário Beja  Santos. 

É uma pergunta para os "ratos de biblioteca", mas com uma particularidade: conhecemos muito bem, os antigos combatentes, a velha jangada de João Landim (que funcionava todos os dias, durante  a guerra colonial, de 1961 a 1974, e que deve ter continuado a funcionar, depois da independêncai até finais de 2003!), mas não temos, até agora, uma identificação documental segura da pessoa que se esconde por detrás do topónimo. 

A pesquisa que fizemos permite confirmar a importância histórica do lugar, mas não permite afirmar que João Landim tenha sido um militar português, um ponteiro cabo-verdiano ou um protagonista das chamadas campanhas de pacificação. Seria arriscado transformar uma hipótese numa biografia.

(i) João Landim: quem é o o homem por detrás do topónimo ?

O nome já estava consagrado na cartografia colonial. A localidade situava-se junto ao rio Mansoa, cerca de 20 quilómetros a norte de Bissau, numa passagem estratégica entre a capital e as regiões do norte da Guiné. A travessia fazia-se por jangada, muito antes de existir a ponte atual (pronta em 2004, inaugurada em 2005).

Mas quem foi, afinal, esse tal João Landim? 

  • Um português? É possível, mas não encontrámos prova documental que o confirme;

  • Um cabo-verdiano? Também não há fundamento para essa hipótese;

  • Um militar ou antigo participante nas "campanhas de pacificação" ? Não há, nas fontes consultadas, elementos que permitam estabelecer essa ligação;

  • Um colono, comerciante, proprietário ou morador, ou um desterrado,  que deixou o nome ao lugar? 

São hipóteses possíveis, mas continuam por demonstrar. João Landim tem 23 referências no nosso blogue. 

O nome próprio e o apelido, por si sós, não permitem determinar a origem étnica, a nacionalidade ou a profissão do indivíduo. Mas provavelmente o João, o Germano

Landim é um apelido portuguès, antigo, medieval, provavelmente de origem toponímica... Há uma fanília e um antigo mosteiro, Santa Maria de Landim, em Vila Nova de Famalicão...


(ii) O que nos dizem os testemunhos dos antigos combatentes?

O nosso blogue é, neste caso, uma fonte preciosa para a história do lugar, ainda que não resolva a identidade do homem.

No poste P16489, de 14 de setembro de 2016 o destacamento e a jangada de João Landim, no Rio Mansoa, recolhemos testemunhos de antigos militares que conheceram o local em diferentes períodos. Mas nenhum deles avança uma pista para esclarecer a origem do topónimo.

  • Alcídio Marinho [ex-fur mil inf, CCAÇ 412  (Bafatá, 1963/65); (1940-2021); vivia no Porto];
  • Francisco Gamelas [ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73), adido ao BCAÇ 3863 (1971/73): vive em Aveiro];
  • José Nascimento [ex-fur mil art, CART 2520, (Xime, Enxalé, Mansambo e Quinhamel, 1969/71); vive no Algarve];

  • Leonel Olhero [ex-Fur Mil Cav do Esq Rec 3432 (Panhard) (Bula, 1971/73); vive em Vila Real].


Há três pormenores que merecem ser destacados:

  • A jangada era uma infraestrutura essencial: transportava militares, viaturas e abastecimentos entre as duas margens do Mansoa, ligando Bissau às regiões do norte, nomeadamente do Cacheu (Bula, Binar, Có, Pelundo, Jolmete, Teixeira Pinto...);
  • O lugar tinha uma história possivelmente anterior à guerra:  testemunho de Alcídio Marinho remonta a 1963/65, quando ali esteve destacado com uma secção de militares; a jangada que então operava não era a mesma dos anos 70;
  • A memória do lugar sobreviveu à função militar; hoje, mesmo com a construção da ponte, o nome João Landim continua a identificar a localidade e a travessia.

Estes testemunhos ajudam-nos a reconstruir a história da jangada e da presença militar. Não esclarecem, porém, quem foi o homem que lhe deu o nome.

(iii) A ponte Amílcar Cabral... ou ponte João Landim?


A ponte sobre o rio Mansoa tem oficialmente o nome de Ponte Amílcar Cabral. Foi construída com financiamento da União Europeia, pela empresa espanhola "Necso Intercanales", e inaugurada oficialmente em 9 de maio de 2005. Com interrupções devido aos sucessivos conflitos militares, a ponte foi construída em 28 meses. Já estava aberta ao tráfego em 2004. Tem cerca de 785 metros de comprimento, 11,4 metros de largura e duas vias de circulação automóvel, de 3,5 metros cada.

Parece que o nome do "Pai da Pátria" não se conseguiu sobrepor ao topónimo João Landim...

Curiosamente fomos encontrar, no portal Casa Comum, da Fundação Mario Soares e Maria Barroso, dois militantes do PAIGC com o apelido Landim:

  • o cmdt de grupo Grad, Paulo Correia Landim (set 1970), e que em outubro de 1962 foi mandado pelo Amílcar Cabral para estudar em Moscovo (!);
  • e o nosso (da CCAÇ 12...) já conhecido Pedro Landim (comissário político, sector 02 / Xitole - Bafatá / Frente Leste ) (novembro de 1970) (fazia parte dos quadro do Exército Popular, então criado, EP 38/70, comissário político no Xitole...no meu tempo (1969/71) (e tinha instruções para limpar o sebo aos graduados da CCAÇ 12 e aos seus "cães")...

Amílcar Cabral dispensa apresentações: foi o fundador do PAIGC e uma figura central na luta pela independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. O João Landim já ninguém sabe quem é...

Mas há aqui um fenómeno de memória popular interessante: o nome oficial da ponte homenageia Amílcar Cabral; o nome tradicional da passagem continua a ser João Landim. A designação da localidade acabou por se sobrepor, na linguagem quotidiana, à designação oficial da infraestrutura. O mesmo aconteceu com a Ponte Salazar sobre o rio Tejo em Lisboa (1966), rebatizada Ponte 25 de Abril, em 1974.

(iv) Pistas para pesquisa

Para tentar descobrir a identidade de João Landim, a IA sugere-nos quatro pistas documentais:

  • Cartografia antiga: comparar cartas da Guiné anteriores à ocupação efetiva do território, designadamente mapas do século XIX e do início do século XX;
  • Boletins oficiais e registos administrativos: procurar referências a pessoas chamadas João Landim, proprietários, comerciantes, funcionários ou autoridades locais;
  • Documentação militar e colonial: consultar relatórios de operações e registos administrativos das chamadas campanhas de pacificação, sem pressupor que João Landim tenha participado nelas;
  • História oral guineense: recolher testemunhos de habitantes antigos da região de Safim, Bula e João Landim; a tradição oral pode conservar uma explicação que não chegou aos documentos escritos.

A primeira pista a explorar  seria a cartografia mais antiga: importa saber quando aparece pela primeira vez o topónimo e se a sua forma original era efetivamente «João Landim». Bom, já sabemos que em 1933 havia um "Ponta João Landim", na margem norte do Rio Mansoa, a norte de Safim.

Em conclusão, não temos provas para dizer quem foi João Landim. Temos, isso sim, um topónimo antigo, uma jangada que marcou a vida de várias gerações de antigos combatentes, e uma ponte moderna que, apesar do nome oficial, continua associada à memória do lugar.


 [Pesquisa: LG + UTW + IA (ChatGPT / Open AI)]

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28466: As nossas geografias emocionais (69): João Landim e a sua famosa jangada (Victor Costa, 1952-2026)









Foto nº 1, 1A, 1B,1C




Foto nº 2, 2A
 


Fotro nº 3, 3A




Foto nº 4A, 4B, 4





Foto nº 5, 5A,5B




Foto nº 6


Guiné > Sector de Bissau > Safim > CCAÇ 4541/72 > 1974 > Destacamento de Safim  > Era aqui que a famosa jangada de João Landim  fazia a travessia ("cambança") do rio Mansoa.. A foto nº 6, a preto e branmco, é uma das originais dp álbum do  álbum do Victor Costa (1952.2026), que estve aqui destacado.


Foto (e legenda): © Victor Costa (2022). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / OPen AI)]




Guiné > Carta geral da província (1961)  / Eascala 1/500 mill > Posição relativa de João Landim: com Nhacra e Bissau a sudeste; região do Oio a nordeste (Mansoa, Bissorã,Mansabá, Olossato, Farim); região do Cacheu, a norte e e noroeste (Binar, Bula, Cõ, Pelundo, Teixeira Pinto,Cacheu, Ponta São Vicente. Imagem melhorada com recurso à IA / Google (2026)




Guiné > Carta de Bula (1953) / Escala 1/50mil > Posição relativa de João Landin, rio Mansoa, Bula e Binar . Imagem simplificada e melhorada com recurso à IA / Google (2026)




Guiné-Bissau > Ponte Amílcar Cabral, mais conhecida por ponte João Landim. Com 785 metros de comprimento, inaugurada em 2003, foi  totalmente financiada pela União Europeia e construída por um consórcio espanhol [Foto: Acciona-Engineering, com a devida vénia...]



1. João Landim tem 23 referências no nosso blogue. 

Era um local estratégico crucial: situa(va)-se  a cerca de 20 km a norte de Bissau, na travessia do Rio Mansoa. Era um ponto de passagem obrigatório: não havendo ponte, funcionava como o principal elo de ligação rodoviária entre a capital (Bissau) e o norte, o noroeste  (região do Cacheu) e o nordeste do território (região do Óio). 

A travessia do Rio Mansoa era feita através de uma jangada, "pachorrenta",  que transportava viaturas militares, tropa,  civis e material logístico  (geralmente apenas duas viaturas de cada vez), exigindo horas de espera e um esquema mínimo de segurança (nunca houve nenhuma emboscada, ataque, flagelação ou mina...).

Uma companhia de 160 homens, com 8 ou 10 viaturas, podia levar entre uma hora e meia e mais de duas horas, em 4 ou  5 viagens, para fazer a "cambança".

 A equipagem e a manutenção da jangada de João Landim (tal como as de S. Vicente e Farim) estavam a cargo do BENG 447 e da Marinha. 

O local em si era seguro. Durante o ano de 1971 a estrada João Landim - Bula ficou asfaltada, facilitando a ligação com Bissau.

Nunca houve financiamento para fazer uma "miserável" ponte sobre o rio Mansoa!... (Se a jangada era segura, e barata, e nunca fora atacada, para quê construir uma ponte, ó estúpido ?!...Afinal, não éramos ricos, mesmo tendo ambições imperiais...)

Os guineenses tiveram que esperar 30 anos (!) pela "ponte Amílcar Cabral", ou melhor "ponte João Landim", como é mais conhecida (que o povo é politicamente incorreto, como o caraças!...). Construída pelos espanhóis. Com patacão da UE... Tal como a ponte de São Vicente (670 metros de comprimento); essa, sim, com forte componente e orgulho da engenharia portugesa!...

Boa pergunta:   quem foi o João Landim, consagrado pelos nossos cartógrafos e a memória do povo ?  Teria sido algum "ponteiro" ? "Tuga" ou cabo-verdiano? Algum "herói das campanhas de pacificação" ?

Em 10 de abril de 1974 o destacamento de João Landim era guarnecido por um Gr Comb da 1ª Cav/BCav 8320/72 mais uma secção reforçada da CCaç 4541/72 (sediada em Safim). Os fuzileiros patrulhavam o rio Mansoa.

João Landim, subsetor de Safim,  pertencia ao setor de Bissau (COMBIS - Comando de Agrupamento de Bissau). Além de Safim, o COMBIS compreendia ainda os subsetores de Brá, Bor, Prábis e Quinhamel

Ataques só lá mais para norte, na região do Cacheu... Por exemplo, em 17Set73. pelas 06h40, forças do Pel Mil 223/CMil Pelundo, em missão de escolta no itinerário Có- Bula - João Landim, foram emboscadas por um grupo inimigo na área de Pelundo, sector 07. As NT sofreram 11 mortos (10 da população), 12 feridos graves (5 da população) e 15 feridos ligeiros.

____________________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 8 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28248: As nossas geografias emocionais (68): Bambadinca, meu amor ! (Torcato Mendonça, 1944 - 2021)



domingo, 5 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27890: Esposas de militares no mato (6): Teixeira Pinto, ao tempo do Francico Gamelas, ex-alf mil cav, cmd Pel Rec Daimler 3089 (1971/73) - Parte II

Foto nº 1


Foto nº 1A 

Guiné > Região do Cacheu > Rio Mansoa > João Landim > Junho de 1973 > O rio Mansoa em João Landim e a jangada que fazia a sua travessia. Primeiro entravam as viaturas, depois as pessoas. Bissau ficava a cerca de quinze quilómetros e para a "peluda", o fim da comissão, faltavam, ainda quatro longos meses. A Helena regressaria mais cedo a casa, o Francisco só chegará a Lisboa a 11/10/1973, no T/T Niassa, com os seus rapazes do Pel Rec Daimler 3089.


Foto nº 2A


Foto nº 2

Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > c. outubro  de 1973 > Na hora da despedida... Da esquerda para a direita:

(i) cap Lema (CAOP1 ?) (o CAOP 1 foi transferido para Mansoa em 1/2/1973) (e, com ele, o nosso camarada António Graça de Abreu); 

(ii) alf mil médico Mário Bravo ), cirurgião, reformado, nosso grão-tabanqueiro (vive no Porto);

 (iii) comandante do BCAÇ 4615/73,  que rendeu o BCAÇ 3863, ten cor inf Nuno Cordeiro Simões;

 (v) ten cor inf António Joaquim Correia, comandante do BCAÇ 3863 (que terminava a sua comissão);

(vi) alf mil médico Viana Pinheiro (deve ter vindo substituir o dr. Pio de Abreu);

(vii) alf mil Francisco Gamelas (comandante do Pel Rec Daimler 3089, 1971/73);

 (viii) major inf João José Pires (2º comandante do BCAÇ 3863); 

(ix) alf mil Correia Pinto ( de que batalhão?);

 e (x) Maria de Jesus, mulher do alf mil médico Albino Silva (que não aparece nesta fotografia).



Foto nº 3

Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > c. 1971/73 > Vista aérea de Teixeira Pinto (hoje, Canchungo). Em primeiro plano, as instalações militares.


Foto nº 4

Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > c. 1971/73 > Vista aérea de um reordenamento, não identificado, obtida em viagem até Bissau


Foto nº 5

Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > CCS/BCAÇ 3863  (1971/73) >  Junho de  de 1973 >  Imagens da visita do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Portuguesas (CEMGFA) , gen Costa Gomes, a Teixeira Pinto... Em segundo plano, o cinema local, do lado direito a "avenida principal" da vila.


Foto nº 6

Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > CCS/BCAÇ 3863  / 35ª CCmds / Pel Rec Daimler 3089  (1971/73) > Março de 1972 >  "Durante a protecção aos trabalhos de desmatagem das margens, ou da pavimentação, da estrada entre Teixeira Pinto e o Cacheu. Eu, nas costas de uma Daimler, tendo do meu lado esquerdo o então Furriel Comando Paquete e à minha direita o então Alferes Comando Alfredo Campos, comandante do Pelotão da 35ª a que ambos pertenciam.

"O  fur mil 'cmd' Paquete, da 35ª CCCmds, infelizmente já não está entre nós. Segundo informação do Ramiro de Jesus, também ele ex-fur mil comando da 35ª CCmds, natural de Aveiro (e, portanto, meu conterrâneo), o Paquete, depois do regresso à metrópole, morreu atropelado por um comboio em Vila Franca de Xira."

Fotos (e legendas): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O nosso camarada Francisco Gamelas foi dos que casou e levou a esposa, a Maria Helena (ou Lena), para o "mato", neste caso Teixeira Pinto, sede de circunscrição (equivalente a concelho), onde já havia algum cheirinho de civilização: por exemplo, um cinema, uma escola, um posto médico, ruas alcatroadas, algumas casas comerciais,  electridade (de gerador)...

De seu nome completo, Francisco António da Costa Vieira Gamelas.  nasceu em Aveiro, em 1949, formou-se em engenharia eletrotécnica, em 1969, esteve na Guiné, em Teixeira Pinto, em 1971/73, como alf mil cav, a comandar o Pel Rec Daimler 3089, ao tempo do BCAÇ 3863, do CAOP1  e da 35ª CCmds.
 
Depois de reformado da PT (onde foi quadro superior), tem-se dedicado à escrita, à poesia e ao ensaio histórico-sociológico: 
  • "O apelido Gamelas: um património histórico e sociológico de Aveiro" (2009); 
  • "Lavradores do Vilar ou o casamento inter-pares como estratégia de sobrevivência" (2014) (ambos publicados pela ADERAV - Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro);
  •  "Outro olhar - Guiné 1971-1971" (a sua "primeira incursão nas áreas da poesia e da crónica".
Vive em Aveiro. Entrou para a Tabanca Grande em  19/5/2016. Tem cerca de 6 dezenas de referências no blogue.

 

Capa  do livro de Francisco Gamelas ("Outro olhar - Guiné 1971-1973. Aveiro, 2016, ed. de autor, 127 pp. + ilust.  O design é da arquiteta Beatriz Ribau Pimenta. Tiragem: 150 exemplares. Impressão e acabamento: Grafigamelas, Lda, Esgueira, Aveiro.

O livro, feito de pequenas crónicas e poemas, e profusamente ilustrado com as fotos do álbum da Guiné, é dedicado "à memória de Maria Helena" e às as "nossas filhas Sara Manuel e Maria João e os nossos netos Sara, Francisco José e João Gil".

Sobre a sua primeira esposa, Maria Helena, já falecida, e sua companheira da aventura guineense, o Francisco escreveu um belíssimo poema "Amor em tempo de guerra" (pp. 99/101), de que já reproduzimos no poste anterior (*):

 As poucas mulheres que seguiram o seus maridos na Guiné foi por amor e companheirismo. "Éramos jovens. Sentíamo-nos imortais", escreveu o Francisco. A guerra criava, para a nossa geração, uma "urgência emocional", o tempo era curto, a vida podia ser breve (bastava uma mina A/C ou uma emboscada do IN ou uma morteirada de 120 em ataque ao aquartelamento)... Estar juntos, mesmo em condições adversas, valia o risco. Para algumas mulheres, pode ter sido também uma forma de escapar â tristeza do quotiano em Portugal. Para uma ou outra como a Maria Helena, professora, foi também uma forma de se sentir útil.

A escola local em Teixeira Pinto precisava de docentes, e o exército, se não incentivava, pelo menos tolerava a presença de civis, mulheres (e até filhos), para "humanizar" a vida no "mato". De resto,no àmbito da política spinolista "Por uma Guiné Melhor", as "senhoras professoras" eram bem-vindas. E a mulher portuguesa, mesmo inferiorizada no Estado Novo, podia aliar algum idealismo e aventura. Em todo o caso, foram mulheres, portuguesas, de coragem.

A Guiné, apesar dos seus riscos (guerra, paludismo, doenças infetocaontagiosas, stress, desconforto, recursos de saúde limitados, isolamento, dificuldades de tramsportes...) representava uma aventura exótica, um mundo desconhecido. O Francisco Gamelas escreve sobre isso: "aproveitando os intervalos de alguma normalidade para nos inventarmos como casal". Havia uma espécie de romantismo trágico em viver ali, como se a guerra tornasse o amor mais emociante e  intenso.

A Lena e o Francisco, apesar de tudo, tinham algum espaço de privacidade: viviam ao lado da escola, no edifício  destinado ao diretor. Provavelmente frequentavam a messe de oficiais.  De qualquer modo, o  círculo de convívio era muito restrito. O ambiente era fortemente masculinizado. As saídas da vila tinham os seus  riscos, e o contacto com a população local era limitado.  A "normalidade" a que o Francisco se refere era frágil: um jantar no messe, uma ida ao mercado local, ou uma sessão de cinema (com dois ou três anos de atraso em relação à programaçãpo de Lisboa).

Sendo comandante do Pel Rec  Daimler 3089, o Francisco tinha a sua vida operacional. E a Lenba ficou grávida da sua primeira filha,  a Sara, que não nascerá todavia em Teixeira Pinto ,mas já em Aveiro. Náo devia haver sequer obstetras na Guiné!...

Havia isoalamento. O corrreio podia demorar quinze dias (apesar do SPM ser um bom serviço). As notícias da metrópole (e do mundo)  chegavam com atraso. A solidão era quebrada pelo convívio entre as poucas mulheres europeias que havia nestas paragens mas também com as mulheres locais  (que também viviam sob alguma tensão). 

Todas pagaram algum preço. Mas cremos que o balanço final foi positivo, nesta fase das suas vidas, sendo jovens  e recém,casadas...  O poema do Francisco Gamelas responde, em parte, a esta pergunta:

"Foi aqui, no Canchungo, / e nestas condições que aceitámos, / que o nosso amor floriu". 

Para ele e para a Maria Helena, valeu a pena pelo amor, pela família que criaram, pela intensidade da vida que viveram. 

Mas não sabemos como foi, noutros casos...As mulheres que passaram pela Guiné não escreveram (ou pelo menos não publicaram). A única exceção, que nos vem à cabeça, é a da Maria Dulcineia (Ni) (***) que esteve em Bissorã até junho de 1974 e apanhou, pelo menos, dois ataques do PAIGC com "foguetões 122mm".

Estas históris são fragmentos de humanidade no meio  do caos que é sempre a guerra, em qualquer época e lugar. Elas mostram que, mesmo em tempos de violência, a vida, com os seus amores, medos e esperanças, continua.

Sobre a outra senhora, Maria de Jesus, que aparece na foto no. 2, não sabemos mais nada: 
seria esposa do alf mil médico Albino Silva...  (Não haverá aqui troca de nomes ?)

E nós continuamos em próximo poste.

(Continua)  

domingo, 21 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27557: Notas de leitura (1876): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte VII: A chegada a Có, com a praxe do costume (Luís Graça)


Guiné > Região de Cacheu > Có > c. 1972/74 > Vista parcial do aquartelamento: edifício central (secretaria, messe e enfermaria

Foto (e legenda): © Luís da Cruz Ferreira (2025). Todos os Direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


~
Crachá da 2ª C/BART 6521/72
(Có, 1972/74)
1. Prosseguindo  a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)

Com a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro feita em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972), o Luís,  de alcunha o "Beatle",  empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça,  é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972). 

Daqui parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972. No CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional. O tom que neste livrinho de memórias é irónico, e às vezes burlesco, a raiar o absurdo. Vêmo-lo em Bolama, outrora capital, ultrapassada por Bissau e em 1972, já completamente decadente. Decididamente não gosta da CUF nem da Casa Gouveia, que para ele são os donos daquilo tudo. 

Após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo,  a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308. 

É do cais de Bolama que o Luís e os "có boys" partem para  o seu novo destino, Có, "cháo manacanha", via Bissau e João Landim. 


pág. 5

A viagem foi feita de manhã, em LDG (lancha de desembarque grande, da nossa Marinha), aproveitando a maré. 

Chegados a Bissau, foram em coluna para o Cumeré onde pernoitaram. No dia seguinte dirigiram-se para João Landim, para a cambança do rio  Mansoa. Aqui começam a aperceber-se que estão já às portas da guerra. Teoricamente podia viajar-se sem escolta até Mansoa. Mas já não era aconselhável. 

Do outro lado do rio, estavam já os "velhinhos" que os iriam escoltar até Có, a 25 km dali, Foram precisas 3 viagens da jangada para transportaer os 160 homens, as suas bagagens e as suas viaturas (Berliets e outros veículos).



pp. 60/61




Luís da Cruz Ferreira 
(n. 1950,
Benedita, Alcobaça). 
É membro da Magnífica 
Tabanca da Linha. 
E vai aceitar, por certo,  o
 nosso convite para se sentar, 
connosco,
à sombra do poilão 
da Tabanca Grande

Demorou cerca de 1 hora a cambança do rio. A coluna prosseguiu até Có, sem problemas de maior. À chegada ao quartel, tiveram una "apoteótica receção". Os "velhinhos" tinham um grande números de miúdos da tabanca que, a troco de uma coca-cola, se dispuseram a cantar em coro, a plenos pulmões, o clássico hino de bons vindas à "periquitagem":


"Periquito vai no mato,,,olé, lé, lé.
a velhice vai nos Lisboa... olaria, ló, lé".


Enfim, um filme que se repetia em toda Guiné, na rendição de tropas. entre "periquitos" e "velhinhos".

Antes de uma primeira descrição do quartel, o autor fala-nos da tabanca de Có:

"A aldeia de Có era um aglomerado artificial que foi 
projetado e executado pelas forças armadas portuguesas, através do programaa de reordenamento posto em prática no tempo do general António Spínola (...)"


Com cerca de 4 mil habitantes, predominava a etnia Mancanha, tinha um posto escolar miliar (PEM nº 20), onde era minitrado o ensino primária: havia um "profesor de raça branca" para a 3ª e 4ª classes, e três professores civis, jovens, de raça negra".

Além disso, "tinha um posto médico. Não tinha mercearia nem taberna"(sic). Os habitantes "viviam na sustentabilidade possível com os produtos que ainda granjeavam" (pp. 63/64).


Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys" (edição de autor, 2025), pp. 59-63

(Contimua)



Guiné >  Região de Cacheu > Carta de Pelundo (1953) (Escala 1/50 mil)  > Posição relativa de Rio Mansoa, Pelundo Jolmete e Có.

Infografia: Blogue Luís Grça & Camaradas da Guiné (2025)

(Revisão / fixação de texto: LG)
_________________

Notas do editor LG:

Último poste anterior da série : 19 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27548: Notas de leitura (1875): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (5) (Mário Beja Santos)

domingo, 27 de julho de 2025

Guiné 61/74 - P27058: As nossas geografias emocionais (55): Nhacra, Safim, Ensalmá e João Landim do meu tempo (Benito Neves, ex-fur mil, CCAV 1484, Nhacra e Catió, 1965/67)


Brasão da CCAV 1484 (Nhacra e Catió, 1965/67)


1. Mensagem enviada ontem, dia 26, àss 17:42, pelo Benito Neves, ex-fur mil, CCAV 1484 (Nhacra e Catió, 1965/67), através do formulário de contacto do Blogger:

Em 1965/66 a CCav 1484 esteve sediada em Nhacra e fazia a guarnição de Safim com um pelotão que destacava uma secção para João Landim e outra para Ensalmá. 

Também em Safim havia um pelotão de milícia que, à noite, reforçava Ensalmá e João Landim. (*)

Em Ensalmá havia uma ponte móvel sobre o canal do Impernal que periodicamente beneficiava de manutenção. No canal as mulheres praticavam a pesca. Quer num ou noutro destacamento havia um posto de rádio. 

Em João Landim as instalações eram precárias permanentemente invadidas por baratas. No exterior havia uma mesa de madeira e barris com água expostos ao sol. Em determinada altura resolveu-se fazer uma cobertura para que a água não estivesse ao sol e se pudesse almoçar à sombra. 

Enquanto estes trabalhos decorriam com alguns militares em tronco nú, chegou na
jangada, vindo de Bula um senhor major que não gostou de ver o pessoal em tronco nú. Perguntou a um militar quem era o comandante do Destacamento e o nosso furriel Moniz (que Deus o tenha) apresentou-se ao sr major que lhe deu uma reprimenda por o pessoal andar mal fardado e do facto fez participação superior. 

A jangada fazia o seu trabalho enquanto a tropa fazia o controle de pessoas e haveres. Diariamente a CCav 1484 fazia patrulhamentos pelas tabancas da zona com controlo da população e assistência sanitária. 

A guarnição militar de Safim, Nhacra e João Landim era feita por períodos de quinze dias. No Cumeré, naquele tempo, não havia qualquer guarnição militar, apenas a tabanca onde frequentamente se faziam patrulhamentos.

Cumprimentos,
Benito Neves (**)
________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 26 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27055: A Bissau do Meu Tempo (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte V: Arredores: Safim, João Landim, Ensalmá e Nhacra

(**) Último poste da série > 20 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26942: As nossas geografias emocionais (54): Arábia Saudita, Mar Vermelho, Jeddah, "a porta de Meca", 2023 (António Graça de Abreu, Cascais)

sábado, 26 de julho de 2025

Guiné 61/74 - P27055: A Bissau do Meu Tempo (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte V: Arredores: Safim, João Landim, Ensalmá e Nhacra

 


Foto nº 116A e 116


Foto nº 117A e 177



Foto nº 118 e 118A



Foto nº 114 e 114A


Foto nº 107A e 107




Foto nº  106, 106A e 106B


Foto nº 108A e 108

Foto nº 109A e 109


Foto nº 110A


Foto nº 111A


Foto nº 112


Foto nº 113A

Guiné > Ilha de Bissau   > Arredores: Safim, João Landim, Ensalmá e Nhacra

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1.  Continuação da publicação de fotos do álbum do Virgílio Teixeira  (ex-alf mil, SAM, CCS/BCaç 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) (*)


A Bissau do meu tempo > Arredores: Safim, João Landim, Ensalmá e Nhacra


Legendas das fotos:

F106 – Cruzamento de estradas em Safim: Logo ao sair de Safim, está um cruzamento: para o lado esquerdo, Landim  (8 km) e Bula;  Para o lado direito, Ensalmá (5 km), Nhacra (e depois, Mansoa e Mansabá). Mas também uma ligaçáo mais curta e direta entre Bissau e Nhacra. 11 março 1968

 F107 – Ponte de Ensalmá, sobre o rio Impernal, afluente do rio Mansoa.  Ficava entre Safim e Nhacra. A 5 km do cruzamento em Safim a caminho de Nhacra, segundo diz na placa. 11 março 1968.

F108 – Vista da povoação de Nhacra. Por aqui já se viam casas e ruas arranjadas, erauma zona aparentemente calma, nessa época, mais tarde não era assim. Não me lembro de encontrar um tasco qualquer para comer umas coisas, acho que não havia, Safim ficava perto, e passava lá a tropa.  11 março 1968

F109 - Vista da povoação de Nhacra.  11 março 1968

F110 - Vista da povoação de Nhacra. 11 março 1968

F111 – Uma tarde de lazer , sentado na berma da piscina do quartel de Nhacra.  11 março 1968

F112 – Vista geral da pequena piscina do quartel de Nhacra.  11 março 1968.

F113 – Salto mortal e barrigada na piscina.  11 março 1968.

F114 – Caminhada de Safim até  João Landim.  11 março 1968

F116 – Jangada em João Landim. Junto com outro militar que ainda não sei quem era, mas andava muito comigo...11 agosto 1968.

F117 – Partida da jangada de João Landim a caminho do outro lado do Rio Mansoa..11 agosto 1968.

F118 – Na jangada na cambança do rio. 11 agosto 1968.


(Revisão / fixação de texto: LG)


2. Comentário de António Rosinha (*):


O canal Impernal que liga o Rio Geba ao Rio Mansoa, foi tão navegável que em Ensalmá foi construída uma ponte levadiça, na altura dos anos 40, uma obra caríssima de certeza, e tecnicamente interessantíssima.

O canal assoreou e em 1993 só fazia de Bissau um ilha na maré cheia.

E era em Ensalmá, onde o leito do canal dava mais pé, e um simples aqueduto resolveu a circulação da água e a ponte desativou-se.

O assoreamento deu-se, provavelmente,  porque os diques, "ouriques" em crioulo, que serviam para regularizar a água para os arrozais, não foram mais mantidos, porque a mão de obra foi para a guerra.

Talvez o amigo Virgílio ainda tenha circulado em cima da ponte de bicicleta.

Ainda conheci a ponte por cima e por baixo, uma "pérola", dava para passar uma regata de veleiros.

Hoje, no google Earth vê-se a ruina da ponte e dos encontros.