Guiné > Região de Cacheu > Bula > João Landim> Margem direita do rio Mansoa > Junho de 1973 > Travessia de João Landim, que se fazia em jangada. Aqui, de norte para sul... Primeiro entravam as viaturas, depois as pessoas. Bissau ficava a cerca de vinte quilómetros.
O Victor Costa já aqui explicou qual era o trajeto, de quem vinha de Bissau (sexta-feira, 10 de abril de 2026 às 11:38:00 WEST):
- Bissalanca,
- Safim,
- João Landim Sul ( edificio com antena de transmissões),
- Rio Mansoa,
- João Landim Norte (saída da estrada de alcatrão a cerca de 5 km e entrada numa picada)
- até ao destamento de João Landim Norte
- e , por fim, Bula.
Foto (e legenda): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Portugal > Ministério das Colónias > Comissão de Cartografia > Carta da Guiné (Esboço) (1933) > Escala 1/500 mil. Comp e des M Diniz > Imagem da carta cedida pelo cartógrafo João Escravana (cortesia do portal Ultramar TerraWeb > Dos Veteranos da Guerra do Ultramar ).
Em 1933, existia na margem direita do rio Mansoa a Ponta João Landim. E Bissau era uma ilha. Vinte anos depois, a carta de Bula (escala de 1/50 mil) sinaliza aqui um ponto de cambança; João Landim, entre as duas margens do rio Mansoa. E a estrada que vai para Bula atravessava duas zonas distintas, João Landim e Mato Dingal. Ainda na bacia hidrográfica do Mansoa havia a Ponta Geraldo Landim.
Na carta de Bula, estão sinalizadas muitas outras pontas. Por exemplo, na margem direita do rio Dingal: Germano Landim, Joaquim Mendes, Domingos Monteiro (?), Batijaqui, etc.; na margem direita do rio de Bula: Conselho, Soares, Consolação, Umbrum, Alfama. etc.
É mais que provável que o João, o Geraldpo e o Germano pertencessem à família Landim, já que o apelido Landim é comum aos três "ponteiros"...
Escreveu o António Rosinha, a propósito da jangada de João Landim:"Só entre a jangada de João Landim e Bula, encontram-se naquelas redondezas treze pontas, e provavelmente a maioria seriam de Caboverdianos.E até se poderá dizer que pelo resto da Guiné seria assim já desde Honório Barreto, até Amilcar Cabral e o herdeiro da Ponta Alfama terem as suas ideias da União/Junção/Anexação Guiné-Cabo Verde.
O Mapa de Bula onde vemos essas pontas, é de 1953, ora nessa data já a pacificação da Guiné e das outras colónias portuguesas viviam numa paz e numa calma que até iludiu os estudantes do império, que era facílimo governar aquilo mais e melhor por eles do que pelos atrasados dos portugueses.
E de facto o ex-guerrilheiro Alfama ainda chegou a governante, na Guiné, mas só até 1980, pois deve ter acompanhado Luís Cabral que também "desistiu" em 1980.
Mas talvez tenham sido eles, que ajudaram a garantir que aquele arquipélago a figurar como país com fronteiras e bandeira própria".
Guiné > Carta de Bula (1953) / ewcal 1/50 mil > Posição relatiuva de João landim, no rio Mansoa, sinalizada na carta como ponto de combança do rio Mansoa.
Infografias: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
1. Ainda a propósito da jangada do João Landim... Quem foi afinal o João Landim, consagrado pelos nossos cartógrafos e a memória do povo ? Qual a origem deste topónimo ?
Teria sido algum "ponteiro" ? "Tuga" ou cabo-verdiano? Algum "herói das campanhas de pacificação" ? Hoje há uma ponte (c. 800 metros), conhecido por "ponte Amílcar Cabral", mas para o povo é a "ponte João Landim". Tal como a ponte de São Vicente, na "estrada euro-africana", ligando a Guiné-Bissau, aos países a norte e nordeste (Senegal, Gâmbia, Guiné-Conacri...): continua associado, o nome, a uma ponta que aqui existia antes do início da guerra...
É uma pergunta para os especialistas de história, cartografia e toponímia da Guiné, a começar pelo nosso erudito e apaixonado por estas coisas, o Mário Beja Santos.
É uma pergunta para os "ratos de biblioteca", mas com uma particularidade: conhecemos muito bem, os antigos combatentes, a velha jangada de João Landim (que funcionava todos os dias, durante a guerra colonial, de 1961 a 1974, e que deve ter continuado a funcionar, depois da independêncai até finais de 2003!), mas não temos, até agora, uma identificação documental segura da pessoa que se esconde por detrás do topónimo.
A pesquisa que fizemos permite confirmar a importância histórica do lugar, mas não permite afirmar que João Landim tenha sido um militar português, um ponteiro cabo-verdiano ou um protagonista das chamadas campanhas de pacificação. Seria arriscado transformar uma hipótese numa biografia.
O nome já estava consagrado na cartografia colonial. A localidade situava-se junto ao rio Mansoa, cerca de 20 quilómetros a norte de Bissau, numa passagem estratégica entre a capital e as regiões do norte da Guiné. A travessia fazia-se por jangada, muito antes de existir a ponte atual (pronta em 2004, inaugurada em 2005).
Mas quem foi, afinal, esse tal João Landim?
Um português? É possível, mas não encontrámos prova documental que o confirme;
Um cabo-verdiano? Também não há fundamento para essa hipótese;
Um militar ou antigo participante nas "campanhas de pacificação" ? Não há, nas fontes consultadas, elementos que permitam estabelecer essa ligação;
Um colono, comerciante, proprietário ou morador, ou um desterrado, que deixou o nome ao lugar?
O nome próprio e o apelido, por si sós, não permitem determinar a origem étnica, a nacionalidade ou a profissão do indivíduo. Mas provavelmente o João, o Germano
Landim é um apelido portuguès, antigo, medieval, provavelmente de origem toponímica... Há uma fanília e um antigo mosteiro, Santa Maria de Landim, em Vila Nova de Famalicão...
O nosso blogue é, neste caso, uma fonte preciosa para a história do lugar, ainda que não resolva a identidade do homem.
No poste P16489, de 14 de setembro de 2016 o destacamento e a jangada de João Landim, no Rio Mansoa, recolhemos testemunhos de antigos militares que conheceram o local em diferentes períodos. Mas nenhum deles avança uma pista para esclarecer a origem do topónimo.
- Alcídio Marinho [ex-fur mil inf, CCAÇ 412 (Bafatá, 1963/65); (1940-2021); vivia no Porto];
- Francisco Gamelas [ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73), adido ao BCAÇ 3863 (1971/73): vive em Aveiro]
; José Nascimento [ex-fur mil art, CART 2520, (Xime, Enxalé, Mansambo e Quinhamel, 1969/71); vive no Algarve];
Leonel Olhero [ex-Fur Mil Cav do Esq Rec 3432 (Panhard) (Bula, 1971/73); vive em Vila Real].
Há três pormenores que merecem ser destacados:
- A jangada era uma infraestrutura essencial: transportava militares, viaturas e abastecimentos entre as duas margens do Mansoa, ligando Bissau às regiões do norte, nomeadamente do Cacheu (Bula, Binar, Có, Pelundo, Jolmete, Teixeira Pinto...);
- O lugar tinha uma história possivelmente anterior à guerra: testemunho de Alcídio Marinho remonta a 1963/65, quando ali esteve destacado com uma secção de militares; a jangada que então operava não era a mesma dos anos 70;
A memória do lugar sobreviveu à função militar; hoje, mesmo com a construção da ponte, o nome João Landim continua a identificar a localidade e a travessia.
Estes testemunhos ajudam-nos a reconstruir a história da jangada e da presença militar. Não esclarecem, porém, quem foi o homem que lhe deu o nome.
A ponte sobre o rio Mansoa tem oficialmente o nome de Ponte Amílcar Cabral. Foi construída com financiamento da União Europeia, pela empresa espanhola "Necso Intercanales", e inaugurada oficialmente em 9 de maio de 2005. Com interrupções devido aos sucessivos conflitos militares, a ponte foi construída em 28 meses. Já estava aberta ao tráfego em 2004. Tem cerca de 785 metros de comprimento, 11,4 metros de largura e duas vias de circulação automóvel, de 3,5 metros cada.
Parece que o nome do "Pai da Pátria" não se conseguiu sobrepor ao topónimo João Landim...
Curiosamente fomos encontrar, no portal Casa Comum, da Fundação Mario Soares e Maria Barroso, dois militantes do PAIGC com o apelido Landim:
- o cmdt de grupo Grad, Paulo Correia Landim (set 1970), e que em outubro de 1962 foi mandado pelo Amílcar Cabral para estudar em Moscovo (!);
- e o nosso (da CCAÇ 12...) já conhecido Pedro Landim (comissário político, sector 02 / Xitole - Bafatá / Frente Leste ) (novembro de 1970) (fazia parte dos quadro do Exército Popular, então criado, EP 38/70, comissário político no Xitole...no meu tempo (1969/71) (e tinha instruções para limpar o sebo aos graduados da CCAÇ 12 e aos seus "cães")...
Amílcar Cabral dispensa apresentações: foi o fundador do PAIGC e uma figura central na luta pela independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. O João Landim já ninguém sabe quem é...
Mas há aqui um fenómeno de memória popular interessante: o nome oficial da ponte homenageia Amílcar Cabral; o nome tradicional da passagem continua a ser João Landim. A designação da localidade acabou por se sobrepor, na linguagem quotidiana, à designação oficial da infraestrutura. O mesmo aconteceu com a Ponte Salazar sobre o rio Tejo em Lisboa (1966), rebatizada Ponte 25 de Abril, em 1974.
Para tentar descobrir a identidade de João Landim, a IA sugere-nos quatro pistas documentais:
- Cartografia antiga: comparar cartas da Guiné anteriores à ocupação efetiva do território, designadamente mapas do século XIX e do início do século XX;
- Boletins oficiais e registos administrativos: procurar referências a pessoas chamadas João Landim, proprietários, comerciantes, funcionários ou autoridades locais;
- Documentação militar e colonial: consultar relatórios de operações e registos administrativos das chamadas campanhas de pacificação, sem pressupor que João Landim tenha participado nelas;
- História oral guineense: recolher testemunhos de habitantes antigos da região de Safim, Bula e João Landim; a tradição oral pode conservar uma explicação que não chegou aos documentos escritos.
A primeira pista a explorar seria a cartografia mais antiga: importa saber quando aparece pela primeira vez o topónimo e se a sua forma original era efetivamente «João Landim». Bom, já sabemos que em 1933 havia um "Ponta João Landim", na margem norte do Rio Mansoa, a norte de Safim.
Em conclusão, não temos provas para dizer quem foi João Landim. Temos, isso sim, um topónimo antigo, uma jangada que marcou a vida de várias gerações de antigos combatentes, e uma ponte moderna que, apesar do nome oficial, continua associada à memória do lugar.
[Pesquisa: LG + UTW + IA (ChatGPT / Open AI)]
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 28 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28469: Historiografia da presença portuguesa em África (550): A Guiné vista por estrangeiros - I: A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (18): Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette (Mário Beja Santos)























































